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BPC/LOAS negado por causa da renda familiar? Você pode ter direito ao benefício mesmo assim!

Foto do escritor: RibeiroJuniorADV
RibeiroJuniorADV
há 3 dias
4 min de leitura

Muitas pessoas deixam de receber o BPC/LOAS porque o INSS considera apenas a renda da família. Mas a lei e a Justiça reconhecem que a realidade de quem vive em situação de dificuldade econômica vai muito além dos números.


O que é o BPC/LOAS e quem tem direito?


O Benefício de Prestação Continuada, conhecido como BPC/LOAS, é um benefício assistencial que garante o pagamento mensal de um salário mínimo para pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade econômica.

Ele é destinado a dois grupos:

  • Pessoas idosas com 65 anos ou mais;

  • Pessoas com deficiência, de qualquer idade, inclusive crianças e adolescentes.

Uma informação importante: não é necessário ter contribuído para o INSS para receber o BPC/LOAS.

Isso acontece porque o BPC não é uma aposentadoria, mas um benefício assistencial criado justamente para proteger pessoas que necessitam de apoio financeiro para viver com dignidade.

Entretanto, além da idade ou da condição de deficiência, é necessário comprovar que a pessoa e sua família não possuem condições de garantir sua subsistência, conforme os requisitos previstos em lei.


O problema da renda familiar


Um dos principais motivos de negativa do BPC/LOAS pelo INSS é a renda familiar.

A legislação estabelece como critério básico uma renda mensal de até 1/4 do salário mínimo por pessoa da família, observadas as regras legais de cálculo.




Mas imagine a seguinte situação:

Uma família possui uma pequena renda mensal, que ultrapassa por pouco o limite considerado pelo INSS.

Entretanto, nessa mesma família existe uma criança com deficiência que necessita de medicamentos, consultas médicas, tratamentos contínuos, alimentação especial e outros cuidados.

Depois de pagar todas essas despesas, praticamente não sobra dinheiro para alimentação, moradia e outras necessidades básicas.

Será justo avaliar a situação dessa família considerando apenas quanto dinheiro entra em casa, sem observar as despesas necessárias e as dificuldades enfrentadas?

É justamente nesse ponto que precisamos compreender melhor como funciona o direito ao BPC/LOAS.


A renda não conta toda a história!


O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que a renda familiar, sozinha, não é suficiente para demonstrar a verdadeira situação econômica de uma família.

Isso significa que o limite de renda previsto na legislação não deve ser utilizado como único elemento para avaliar a situação de vulnerabilidade social.

A realidade de cada família precisa ser considerada.

Entre os fatores que podem ser importantes nessa avaliação estão as despesas necessárias com medicamentos, consultas, tratamentos de saúde, fraldas e alimentação especial, observadas as condições estabelecidas na legislação.

Também podem ser relevantes as condições de moradia, a composição familiar e outras circunstâncias que demonstrem as dificuldades enfrentadas.

Portanto, ter uma renda familiar um pouco acima do limite legal não significa, automaticamente, que a pessoa não tenha direito ao BPC/LOAS.

Isso não quer dizer que toda pessoa nessa situação receberá o benefício, mas que existem casos em que uma análise mais aprofundada pode demonstrar o direito.


Crianças com autismo também podem receber o BPC/LOAS?


Sim!

A legislação brasileira reconhece a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.

Por isso, crianças e adolescentes autistas também podem ter direito ao BPC/LOAS, desde que preenchidos os demais requisitos exigidos pela legislação.

É importante compreender que não é necessário que a criança tenha outras doenças associadas ao autismo para que sua condição seja reconhecida como deficiência.

Para a concessão do benefício, devem ser avaliados os impedimentos de longo prazo e a situação de vulnerabilidade econômica da família.

Cada caso precisa ser examinado considerando suas particularidades.


O INSS negou o benefício, mas depois concedeu. É possível receber os atrasados?


Essa é uma situação que merece bastante atenção.

Imagine que uma família tenha solicitado o BPC/LOAS em 2020, mas o INSS tenha negado o pedido.

Anos depois, a mesma família apresenta um novo requerimento e consegue a concessão do benefício.

Surge então uma pergunta importante:

Se a pessoa já preenchia todos os requisitos quando fez o primeiro pedido, por que não recebeu o benefício desde aquela época?

Quando existem provas de que o direito já estava presente na data do primeiro requerimento, é possível buscar judicialmente o reconhecimento daquele período e o pagamento dos valores atrasados.

É necessário, porém, comprovar que as condições exigidas pela legislação já estavam presentes naquela data, observadas as regras aplicáveis ao caso.

A concessão posterior do benefício não significa, por si só, que todos os valores anteriores serão devidos. Mas também não impede que esse direito seja discutido.


O que fazer quando o BPC/LOAS é negado?


Receber uma resposta negativa do INSS pode ser frustrante, principalmente para famílias que dependem do benefício para custear necessidades básicas.

Entretanto, antes de desistir, é importante compreender o motivo da negativa.

Em muitos casos, documentos médicos, informações do Cadastro Único (CadÚnico), comprovantes de despesas e outros elementos podem ajudar a demonstrar uma realidade que não foi devidamente considerada.

Dependendo da situação, é possível apresentar recurso administrativo ou buscar o reconhecimento do direito pela Justiça.

O mais importante é não concluir que a negativa do INSS significa, necessariamente, que a pessoa não possui direito ao benefício.


Conclusão: cada família tem uma realidade que precisa ser respeitada


O BPC/LOAS existe para oferecer proteção a pessoas idosas e pessoas com deficiência que vivem em situação de vulnerabilidade econômica.

Sua finalidade é garantir condições mínimas de dignidade a quem necessita dessa proteção.

Por isso, a análise do direito ao benefício não pode ignorar as dificuldades reais enfrentadas pelas famílias.

Uma renda acima do limite legal não deve encerrar automaticamente a discussão sobre o direito ao BPC/LOAS.

Se você ou alguém da sua família teve o benefício negado, especialmente por causa da renda familiar, procure orientação jurídica especializada para avaliar a situação.

A análise cuidadosa dos documentos e das condições de vida da família pode fazer toda a diferença para o reconhecimento de um direito.



Ribeiro Junior Advocacia

Atuação em Direito Previdenciário e Assistencial.




Fundamentação jurídica: Constituição Federal, art. 203, V; Lei nº 8.742/1993 (LOAS), arts. 20 e 20-B; Lei nº 12.764/2012; entendimento do Supremo Tribunal Federal no RE 567.985/MT e na Reclamação nº 4.374.

 
 
 

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